Pensar a cidadania nos dias atuais é quase impossível dissociar das questões digitais, como sou afinada com a ciência geográfica a temática me remete de imediato ao ilustre professor Milton Santos e o seu livro O Espaço Cidadão, o autor questiona em seu primeiro capitulo: Há cidadãos nesse pais? Segundo Santos a cidadania se aprende e dessa forma se torna um estado de espirito enraizado na cultura, porem a cidadania está em constante ameaça e tem os seus limites. Esses limites são: a situação social, jurídica e politica. Para a manutenção e eficiência da cidadania, e para que esta seja uma fonte de direitos se faz necessário o aporte legal assim como dispositivos institucionais que a garantam. A construção e manutenção da cidadania pode variar de acordo com cada país a sua história e as suas bases.
Na atualidade o espaço cidadão não se restringe ao espaço real/analógico mas avança, se sobrepõe e interage ao espaço digital onde exitem questões efervescentes e de difíceis soluções. Ter acesso a internet te faz necessariamente um cidadão digital ou cibercidadão? Concordo com Tomás Patrocínio, autor do texto "Para uma genealogia da cidadania digital" quando ele responde a esse questionamento negativamente, nem todos que estão online são cibercidadãos, há os que utilizam a net apenas como mais uma ferramenta a serviço do capital porém há também aqueles que fazem da rede meio e ferramenta como forma de construir relações e conhecimento ou ainda para manifestações políticas, redes de apoio ou contestação, porem infelizmente nem só de boa intenção vive a rede (assim como no nosso meio real/ analógico) o maior exemplo disso são os últimos meses vividos no nosso pais onde as Fake News influenciam eleições, opiniões e criam falsos Mitos.
Como cidadã e educadora acredito que o maior desafio da atualidade seja aprender a lidar com os potenciais e as más intenções de quem utiliza a internet como meio de disseminar o ódio, as falsidades e as praticas danosas. Precisamos sempre nos questionar quando as fontes das noticias que recebemos, precisamos aprender a gerir melhor a quantidade e a qualidade do tempo que passamos conectados e também refletir a serviço de quem estão as ferramentas que utilizamos nas redes, para que assim não sejamos mais um no meio da multidão, que não sejamos aquele que compartilha um Post sem refletir sobre o que se trata realmente, a quem realmente interessa, qual seu objetivo...
